13/07/2017

A barata cascudinha



Da série: Fábulas de Nilson Ericeira

Era uma vez uma barata cascudinha no reino da fantasia. A baratinha vivia encantando outros animais do reino. Voava com tanta perfeição a se confundir com uma borboleta molhada, tomava banho de sol e se enrolava com folhas da vegetação quando desejava se prevenir de suas presas. Uma perfeita camuflagem e de herança de seu camaleão pescoço de girava.  
A barata se juntava com os outros animais e, em reunião, prometia dotar de voz humana todos os animais irracionais não como uma menção divina, mas como uma de suas obras. Mas após a reunião, era esperar dia após dia que o milagre sempre viria! Mas de tão esnobe, a barata foi perdendo a confiança de seus aliados, pois de tanto prometer do que não podia, do que não sabia, do que não fazia, aveio à frustração. Para a barata cascudinha, o céu e a terra são no mesmo lugar, desde que não lhe falte uma posição de destaque. 
A barata cascudinha de tola não tinha nada, gerava relatórios e se pronunciava com elegância, entre palavras ôcas e fazias: o encantamento do rei dos animais! Mas ela nem de si se cuidava, passava meses a fio sem cumprir com suas rotinas na sua própria colônia. O que sabia fazer, articular para que outros animais caíssem numa das teias que houvera se apropriado de uma aranha amiga. Animais de pouco cérebro ou acéfalos, presas fáceis. 
 Cascudinha ainda continuava a encantar os desassistidos animais, num belo dia cruzou-se com um lagarto e deram cria a animais de espécies distintos e híbridos. Animais de corpo quente e insensíveis a seus próprios falseamentos. Ao filho ensinara de tudo, até subtrair protocolos e se alheia quando necessário for. Falsa e delinquente, a barra sempre fazia quase todo o reino entender que trabalhava para que todos fizessem parte de uma grande sociedade, igual a das abelhas, cupins, formigas e a baratinha cascuda o eremita.
Mas um dia a sua máscara caiu! Numa manhã de estrema lucidez no reino, sua onomatopeia não fora mais compreendida e em zigue-zagues se enlameou no brejo. É que a cascudinha elaborou um projeto de alfabetizar a todos os animais prolixos e hipócritas no reino. Com métodos de asas que não voam, pernas que não se movimentam, bico que não belisca, olhos que não enxerga e croaca tosca, fora hostilizada e a sua sentença fora prolatada. A barata caiu dos saltos e se enveneno no seu próprio veneno. 

Mas até hoje ela tem seguidores, há até os que leem seus textos, discursam suas fábulas, e até gesticulam nas asas da sua ociosidade! Imitar ou ser imitado eis a razão. 
Enfim, não gostaria de construir texto inspirado em gente, mas não há outra forma de padecer com semelhante analogia até porque para o poeta, o mundo pare mundos.
Leia esta e outras fábulas no Blog do Jornalista Nilson Ericeira - Usina de Ideias. https://jornalistanilsonericeira.blogspot.com.br/


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