21/11/2017

Lágrima reprimida



Acho que a lágrima que não choro dói mais.
Muito mais, reprimida muito sentida.
E aquela que roça na face num coração recluso

é a que fere mais!
Pois não com-partilho.
Lágrima reprimida seca e vira rocha,
e pedras não sentem, não falam, emudecem...
Mas quando se desmancham, ferem o coração.
Sangra agora no peito a dor e a repressão.
Ah como dói não saber dizer o que se sente.
Nem mesmo essa semente de amor faz bem.
Mas sei não convém anunciar as fontes de amar.
Vou esperar outras lágrimas, pois não desejo meu peito secar.
Acho que sou mesmo um sujeito recluso,
confuso e obtuso com essas coisas de amar.
É que meu coração sem te ver sente mais!
Não, não me faça secar, pois trago em mim a fonte de amar.
Esse amor é rio, regato, afluentes de águas correntes que correm para o mar.
É mar, crista de onda que irrigam sementes de amar.
É uma lágrima reprimida, de um coração-oceano que quer derramar.


Nilson Ericeira

Notícias, opinião, pensamentos, reflexões...

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Aqui não há espaço para a mentira, para a violência ou para qualquer outra prática que não seja o da conquista de uma sociedade livre, ética e democrática.
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20/11/2017

Desintoxicação



Que a ausência de coisas materiais
não tire um pingo de essência de meu coração.
E nem do meu amor comensal.
E nem me esvazie em mim naquilo que acredito.
Nem me obscureça...
Nem me entristeça...
E nem me gere sequidão.
Que a vida seja sempre essência do meu coração.
E que nem me falte o vento, o tempo e ar.
Que eu possa viver a cada estação no tempo certo.
Que também possa escutar água justa correndo no meu coração.
Que haja sementes, brotos, chão e vida...
Que eu não desça as escadas de mim.
E nem me enrosque em mim mesmo sem que me enxergue.
E nem que me falte o conteúdo do verbo.
E sangue para oxigenar este velho coração.
E que o amor sempre alimente meu ser.

Nilson Ericeira

O perdão do poeta



Perdoe-me Senhor, por não compreender o mundo e nem aceitar o abraço de hipócritas.
E isso às vezes me dói!
Perdoe-me todos os dias após ser tão obscuro e não saber ler a coisas do mundo.
Perdoe-me por quantas vezes eu pecar,
mas me perdoe também por essas coisas de amar.
Perdoe-me por não ser tão agradável e nem sorrir quando no meu coração não cabe.
Perdoe-me no que puder, perdoe-me pela minha fraca fé.
Perdoe-me por me indignar com tantas coisas,
por enjoar tantos ditos e não ditos.
Perdoe-me por deixar escapar um anseio de amar.
Perdoe-me se não sei te buscar, mas não te busco em homens falhos, ídolos falantes e galantes.
Busco-te em mim, mas sou vazio...
Perdoe-me por não ter feito mais quando podia e por ser tão distante.
Me perdoe por essa estética tão invisível.
Perdoe-me com essa obstinação de construir igrejas sem paredes, sem pisos, sem especiarias...
Perdoe-me pela minha pobreza de espírito.
Eu preciso ter a certeza da tua palavra e amor no meu coração.
Perdoe-me por não ser justo e sábio para compreender os porquês desta vida.
Perdoe-me por certas certezas filosóficas.
Perdoe-me por tudo e também por não dá ouvidos a coisas tão especiais.
Me perdoe e perdoe os meus deuses de brinquedo, de ilusão!
Pois é por isso que sou fraco.
Perdoe-me, por mesmo no ócio,
deixar sempre a tua verdade para depois.
Mas me dê a tua direção, mostre-me os caminhos,
ensine-me o ponto certo de amar e ser justo.
Senhor, dê-me o teu amor como alimento para a minha alma.
Faz-me um ser melhor,
pois eu quero viver plenamente.
Senhor, a minha consciência ainda me reclama tanto de mim,
ensine-me quero ser justo sempre.
Pois eu sei que ainda preciso aprender a tua escrita.


Nilson Ericeira

Uma ética do avesso!

Às vezes chego a imaginar que tenho muita dificuldade para entender certas coisas, principalmente quando é normal para uns e anormais para outros. O que é permitido para uns e indecente para outros. É que há pessoas que tem a acepção da ética do avesso. Para elas é normal se apoderar ou mesmo desvirtuar da destinação pública o bem que é coletivo. Ou mesmo adequar na ‘justa medida’ a administração pública como apêndice de suas particularidades!
Já deu para entender não é? A corrupção, que para uns é gravíssima, para outros ela não conta nada, não mancha e nem causa prejuízos. Logo é esquecida e não chega a fazer mal algum! Mas não é dessa forma que colaboramos para termos um país decente. A regra é geral e universal, pois a mesma podridão que se mostra numa equipe de plantão é a mesma da turma que espera para assumir ou que já exerceu.
Vejo com um ar de cinismo pretender separar da lama do que é lama! Desviar recursos públicos é crime com previsão legal, não há que se escurecer de uns e defenestrar outros em virtude de interesse pessoais.
É assim que eu penso, vejo e sinto e não consigo compreender de forma diferente, pois é só lembrarmos do que aconteceu antes e do que acontece agora.