27/05/2018

Que flor mais linda!


Hoje eu vi uma flor tão linda
E até parecia olhar para mim
Chegou a me inquietar,
mas ela ia para onde o vento a levava
Parecia não se incomodar com o toque do vento
E nem com a insinuação do tempo
Uma flor tão linda, menina!
Ainda, mas parecia querer me tocar
E aos poucos desaparecia!
É que meu jeito pecador parecia incomodar
A tão linda flor
Mas é do amor!
Ali em meio da ilusão,
fincou raízes no meu coração
Mas era tão linda àquela flor,
que de tão menina, ainda!
Logo começou a desabrochar,
Com tanta exuberância no olhar e ensina
Ensina o que a vida tem para nos dá
Ainda insistir com o meu olhar
Disfarcei nem me interessar com que tinha e vinha
E vigia não me importar com a essência que transpirava
Mas uma lágrima me denunciou...
Juntou-se ao orvalho e fez unção no meu coração
Ainda, flor tão linda.
Bem que poderia desabrochar todos os dias em mim
E, então, eu poderia me convencer que esse olhar é para mim
É que é meu o encanto dessa flor mais linda
E que de essências viveria...
Então, vem e me ensina 

Nilson Ericeira

Lágrima distraída...


E quem me dera dizer o que os teus olhos não me revelaram.
Escutar o que o teu coração não me falara.
Ouvir o que a tua voz não me dissera.
Deduzir o que só no meu coração me fez sentir.
Ou imaginar que aquele riso e àquela lágrima eram sinais de amar.
Mas me vir em despedida, numa lágrima que não contiveras.
Pudera eu querer adivinhar o que seria,
o que pudera ser...
Aquele riso oprimido talvez de um amor ressentido.
De um desejo incontido, possuído e aflito.
Ou mesmo um quê de paixão que me iludira.
Ou quem sabe era o último riso ou a dor de uma quimera.
Talvez o início de uma estação, quem sabe até o início de primavera.

Ou a sequidão de meu coração, da forma que estaria.
Pois me é dúvida do que sei e não sei,
mas o que sei é que te zelo em mim.
Guardo os risos que não me proporcionara,
a lágrima que me escondera e a palavra reprimida de que não me dissera...
àquela palavra escondida, mas que transborda de significância.
Era o amor...
Guardo teu ser em mim com o meu melhor pensamento e sentimento.
E quem me dera voltar ao tempo para te recompor em mim em palavras e gestos de amor.
Talvez assim, em poema, apenas...
E que seja em tantos poemas vivos no meu coração.
Te ver chegar, sair e voltar em mim.
Igual aquele passarinho de estações que é livre para voar e amar.
E pensar que um dia eu te tivera em pensamentos meus.
E te transformei em escultura de letras, sentimentos, estrofes, poemas.
Mas, eu sei, tudo em ilusão de performance.
Pois o teu ser se foi em risos que se esvaíram.
O amor que brotou em lágrimas distra-ídas.

Nilson Ericeira

PENSAMENTO DO DIA: Todos os dias temos que ter força e coragem para enfrentarmos os desafios que se apresentam, mas sempre devemos agir de forma honesta e com justiça, assim nada diminuirá o valor de nossas conquistas. (Nilson Ericeira)

26/05/2018

Imagens marcantes e edificantes!


Meus conflitos interiores


Todos temos conflitos interiores, não podemos fazer deles nossas frustrações. Não somos melhores e nem piores do que ninguém. Nesta vida vamos acumulando coisas boas, positivas e negativas. Devemos tirar lições de todas elas, mas não podemos somar em nosso interior sentimentos ruins. Em agindo assim, não nos agradamos interiormente e desagradamos a Deus. Pessoas mal resolvidas quase sempre afetam os outros com os seus dissabores e desamores.
Devemos ter objetivos bem definidos e, para que isso aconteça, precisamos de valores de várias instituições. A família se não é a principal, chega bem perto disto.  Muitas disfunções prejudicam a sociedade. Não é por acaso que a violência cresce a olhos vistos. Todos somos vítimas da violência construída. Penso que muitos dos animais que criamos em nós dão corpo e forma ao animal que somos. Não é possível que nos tornemos frutos de frustrações interiores.
A vazão dos nossos sentimentos é algo que nos abastece para o bem ou para o mal. Não basta ser bom, é preciso nutrir o sentimento do bem.  É bom que se diga que não somos os únicos a ter altas reflexões sobre nós próprios e sobre os mundos de que vivemos, de que projetamos ou até no em que nos desencontramos. Existe um mundo concreto, de base material, de que nos alimentamos e alimentamos o nosso corpo, há o que alimentamos os nossos sentimentos, que são subjetivos, mas concretos na sua existência e sentidos e há os que nos perturbam. Mas a grade verdade é que não podemos fazer de nossas frustrações uma vida de ódio e de maldades.
Não sou um escritor, mas tenho mundo e muitos deles se traduzem do meu inconformismo com a minha própria condução, com as minhas frustrações. É óbvio e evidente, que estas falas não têm em nada a fineza e leveza dos grandiloquentes, intelectuais prontos, e nem de longe é científico e escorreito. Penso que se traduz na minha sedenta forma de dizer e desdizer, pensar e dispensar (descarar) abstrair, refletir e retomar tantas coisas...  

Amor feito asas de um colibri

Meio manco, nem firme e nem cambaleante.
Sem tempero e sem cheiro.
Sem vontade de seguir.
De calundu, cheio de inculcações...
Mas mesmo assim eu sei que vida segue.
Mesmo que o amor não aconteça.
Então, por um momento, você chega feito um colibri.
E, em ensaios, ensaia um beijo.
Dá-me um abraço de asas,
faz uma parada equilibrista e segue...
Ganhando rumos que nem sei.
Atravessa mares, pousa além e ultrapassa os oceanos.
Faz firulas no ar, ensaia voltar e segue...
Beijas as flores como se todas fossem você!
Vai voando a vida inteira, insinuando amor e partindo.
Deixa-me de coração ferido e com isso nem se importa.
As suas asas foram feitas para voar, o seu bico para beliscar e beijar.
Beijando e beliscando flores, desvirginando-as.
Descobrindo néctar, consumindo doces...
Aplaudindo as folhas que vão caindo lentamente.
Se confundindo com o verde encanto e azuis dos céus.
Festejando as flores que adubam nos corações.
Vai voando, tremulando asas como se fosse num voo primeiro.
Com malabarismos impressionantes que parece ter encontrado o açúcar da vida.
Vai deixando saudades e vai voando...
E como um raio a esperança de festejar outras flores.
Visitar novos jardins, escutar outros cantos e confundir-se com o sol cintilante.
Ou mesmo com a chuva fina que se prenuncia.
Da mesma forma que é o amor no tempero da vida.
E continua a festejar as flores e outras tantas flores que todos os dias vão nascendo.
E vai vivendo, e vai voando, e vai voando...
E vai vagando, e vai amando na tentativa de outros amores ir descobrindo.
Assim que chega a noite eu o procuro.
Bem que chega o dia eu o vejo e seu espetáculo de amar.

Nilson Ericeira